"A Lei do apito"
Na madrugada, só o apito da moto do guarda é que se faz presente. Parece até que ele existe por si só, que não precisa de ninguém para Ter motivo de ser. Invejável este ser, o apito. Como pode ele se esquecer de que é o apito da moto do guarda!? A primeira vista ele parece ser inteiramente dependente da moto, que é dependente do guarda, que depende dos moradores, que devem ser defendidos de possíveis bandidos, dos quais depende o medo dos moradores e também os policiais, que abstraem existência de um guarda de rua que tem uma moto que apita. Deve ser bom ser um apito, os apitos parecem não dar a mínima importância para as hierarquias.
domingo, 7 de maio de 2006
sábado, 6 de maio de 2006
sexta-feira, 5 de maio de 2006
segunda-feira, 1 de maio de 2006
"Sendo canal"
Quem é você? De onde você veio? Pra onde você vai? Por que você escolhe o que escolhe? Por que você cria este caminho? Quem te cerca te segue? Quem te segue te acompanha? Quando é que você se sente sozinho? É bom estar só? Você é feliz? Você realmente sabe o que é ser feliz? Você transborda seus sentimentos sobre os outros? O que você quer? O que você pode? O que você tem? Você sabe olhar e enxergar? Você consegue ouvir e escutar? A vida tem aromas e sabores, musicalidade e movimentos, brilhos e cores. Tudo isto realmente chega até você? Abra seus poros! Abra seus poros!Abra seus poros! Seja canal.
"O caminho, a vontade e o fim"
Quem tem vontade, tem um caminho. Quem tem boa vontade, tem vários caminhos. Caminhar é preciso? Não! Caminhar é necessário, porém, impreciso. Muitas escolhas, muita incerteza. A única coisa certa é que o fim chegará, não se sabe como, não se sabe onde e nem quando, mas chegará. Os xamãs costumam dizer que hoje é um dia tão bom para morrer quanto qualquer outro. E não existe nada de ruim nesse pensamento,muito pelo contrário. Sábios xamãs...
Ayahuasca
Ayahuaska ponganera! Ayahuaska ponganera! Inca manta medicoca! Incamanta medicoca!
(domínio público)
(domínio público)
"Se é seu, pegue."
Se é seu, pegue. Se pegar, use. Se usar, sinta. Se sentir, guarde. Se guardar, tenha. Se tiver, doe. Se doar, seja. Se for, deixe. Se deixar, esqueça. Se esquecer, vá. Se for, volte. Se voltar, espere. Se esperar, sente. Se sentar, descanse. Se descansar, durma. Se dormir, sonhe. Se sonhar, entenda. Se entender, comunique. Se comunicar, registre. Se registrar, contemple. Se contemplar, abstraia. Se abstrair, suspire. Se suspirar, receba e só aí, se for realmente seu, pegue.
sábado, 29 de abril de 2006
"Eu-córrego"
O córrego está se limpando de verdade agora. Águas limpas começam a brotar deste solo e jorram por todos os cantos. Esse rio, que não é o mesmo, corre solto, sob novos conceitos de liberdade, de amor, de lealdade, de honraria, de verdade e de consagração.
domingo, 23 de abril de 2006
Iniciar um novo parágrafo é sempre renovador, principalmente se deixamos de lado tudo o que foi dito na linha anterior e nos permitimos tratar de novos assuntos ou dos mesmos, de nova maneira. A forma sempre nos permite novos formatos. O conteúdo sempre espera ser colocado de um jeito que interesse a quem vê.
O Homem sangue
Ele fugiu. Saiu correndo ensangüentado, após ter se arrastado por quase duas horas por entre um ladrilho mais estreito que a espessura de seu corpo. Como? Até agora tentam responder. O fato é que ele, apesar de gravemente ferido, sentia uma profunda alegria que movia suas pernas na velocidade que lhe era possível. Saltava! Ouvia uma música sem nome e de ritmo desconhecido que lhe embalava ladeira abaixo numa cena em câmera lenta. Olhava em seu entorno, mas não via nada nem ninguém. Deslumbrado, apenas corria sorrindo. O sangue que lhe escorria, não o incomodava. Era como se fosse um bálsamo brilhante que sua alma expelia. O passado não lhe cabia mais. O futuro não existia. E o presente era um presente que ele permitia a si mesmo e aos outros. Não sofria, não tinha tempo. Nada era novo ou repetido, tudo era lindo, limpo, cristalino. Tentaram agarrá-lo, pretendiam socorrê-lo. Mas de quê? Alguns o queriam ver preso. Outros o queriam não ver. Todos o invejavam. Dos que olhavam de dentro do prédio branco, dos que olhavam de dentro do prédio cinza. Ninguém passava ileso àquela imagem viva que pulsava diante de si. Em dado momento, parou. Começou a olhar as pessoas em volta e a enxergá-las. Começou a sentir a dor a que seu corpo se expusera. Viu e sentiu-lhe o sangue escorrendo ferimentos afora por todo o corpo. Doeu-se todo. Doou-se ao chão numa queda incessante, pois mesmo no chão, ainda caia. Um amontoado de curiosos, sedentos de sangue e dor alheias, fechou logo um cerco ao seu redor, que aos poucos deixava de ser seu. Os comentários lhe furavam a cabeça e lhe furtavam o que ainda restava de consciência. Tudo tomava dimensões gigantescas. Cada sussurro, um grito estridente. Cada passo, uma batida de estremecer o chão. O Sol... Ah! O Sol... Parecia que estava deitado sobre o Sol, mas estava apenas sob o Sol e, mesmo assim, suava sangue. Já não via ou ouvia nada. A dor era passado. Suspirou pela metade, tentou lembrar daquela música... aquela mús... Descansou. Após dezessete minutos, um funcionário limpava uma possa de sangue com criolina e o dia seguia seu curso normal.
"Tudo sob controle"
Naquele dia não pôde despedir-se. Estava atrasado demais e não havia tempo para burocracias ou coisa parecida. Um beijo rápido poderia prejudicar todo o andamento de um dia cheio. Pensou... Não, não pensou, pois não tinha tempo. Entrou no carro jogando os papéis de um banco para outro e quase se esqueceu de sentir o gosto amargo que o café deixara no céu de sua boca. Este era um dos poucos rituais que ainda fazia e um dos poucos prazeres de todo o seu dia. Ligou o carro, o ar, o som. Não, o som não; não gostava de música àquela hora da manhã. Na verdade em hora nenhuma. Firmou as mãos no volante, o olhar na pista e a mente na carreira. O coração já não era requisitado há anos. Como quem está bem, ligou o carro e partiu para mais um dia de trabalho. Sem questionamentos. Sem afetações. Tudo sob controle.
sábado, 22 de abril de 2006
quarta-feira, 19 de abril de 2006
Salve a Ligação que salva o coração!
Como pode isso: Um telefonema mudar o tempo?
Hoje amanheceu num Sol em céu azul. O cinza do céu se esparsa dentro de mim. Estou agora num estado merecido de paz que se espande para além das fronteiras municipais.
(o melhor disso é saber que um telefonema é apenas um telefonema)
"Só sei que o mundo vai de lá pra cá, andando por aqui por acolá, querendo ver o Sol que não chega..." <>
Como pode isso: Um telefonema mudar o tempo?
Hoje amanheceu num Sol em céu azul. O cinza do céu se esparsa dentro de mim. Estou agora num estado merecido de paz que se espande para além das fronteiras municipais.
(o melhor disso é saber que um telefonema é apenas um telefonema)
"Só sei que o mundo vai de lá pra cá, andando por aqui por acolá, querendo ver o Sol que não chega..." <
terça-feira, 18 de abril de 2006
segunda-feira, 17 de abril de 2006
"Eu cinza"
"Eu cinza"
Me confundo com o cinza deste dia e com as cinzas dos cigarros que não fumo, mas que só hoje já foram mais de dez para acalentar minh'alma. Este Sol ausente ainda lateja seu calor dentro de mim. Sua chama que arde me chama e me invade e não me deixa partir, me parte. Quem disse que o Sol nasce pra todos não conhece a dor que sinto agora.
Me confundo com o cinza deste dia e com as cinzas dos cigarros que não fumo, mas que só hoje já foram mais de dez para acalentar minh'alma. Este Sol ausente ainda lateja seu calor dentro de mim. Sua chama que arde me chama e me invade e não me deixa partir, me parte. Quem disse que o Sol nasce pra todos não conhece a dor que sinto agora.
E Boi!
Nasce um boi, morre um amor. Nasce um amor, morre... O que é a Vida e o que faz sentido nisso tudo? Cruzo uma rua vejo Seu nome, olho pro lado vejo Seu nome.Quando é que não vejo seu nome? Quando é que vou além do nome? Quando é que vou além? Quando?Q...!? O bom de não saber o que fazer ou dizer é que qualquer coisa que você fizer ou disser vale. Só o que não vale é não viver, é se abster de estar presente no exato momento em que se é chamado. Chamado: é bom estar atento a Ele no momento no qual Ele aparece... Correr atrás do Chamado é correr "atrás" do Chamado... O que, talvez, não funcione.
Nasce um boi, morre um amor. Nasce um amor, morre... O que é a Vida e o que faz sentido nisso tudo? Cruzo uma rua vejo Seu nome, olho pro lado vejo Seu nome.Quando é que não vejo seu nome? Quando é que vou além do nome? Quando é que vou além? Quando?Q...!? O bom de não saber o que fazer ou dizer é que qualquer coisa que você fizer ou disser vale. Só o que não vale é não viver, é se abster de estar presente no exato momento em que se é chamado. Chamado: é bom estar atento a Ele no momento no qual Ele aparece... Correr atrás do Chamado é correr "atrás" do Chamado... O que, talvez, não funcione.
terça-feira, 11 de abril de 2006
QUEM SOU EU - 2
"Um despedaço desperdiçado, perdido, atordoado e amordaçado que urge pelo urdimento ungido que meu rudimento esconde."(Rodrigo Figueira, num verão de janeiro, Sampa 2006, já passou das 19h no Ipiranga e a chuva que cai... e cai...)
9 - JAN - 2006:
eu não quero ser careta,
eu não quero ser perfeito,
eu não tenho etiqueta,
eu não minto à vontade,
eu não sei rasgar a seda,
eu não penso em lucros altos,
eu não vivo de aparências,
eu não busco felicidade,
eu não digo amém,
eu não dou bom dia,
eu não vivo à toa,
eu não cumprimento estranhos,
eu aprecio virtudes,
eu deprecio corrupção,
eu agradeço à vida,
eu enlouqueço às vezes,
eu falo sozinho,
eu penso sozinho,
eu canto sozinho,
eu choro sozinho.
eu sou fraco mas corajoso,
medíocre mas esforçado,
triste mas sei me alegrar,
estou só,
me sinto só,
sou só... mais um no baile.
(R. Figueira, Sampa: jan-2006)
9 - JAN - 2006:
eu não quero ser careta,
eu não quero ser perfeito,
eu não tenho etiqueta,
eu não minto à vontade,
eu não sei rasgar a seda,
eu não penso em lucros altos,
eu não vivo de aparências,
eu não busco felicidade,
eu não digo amém,
eu não dou bom dia,
eu não vivo à toa,
eu não cumprimento estranhos,
eu aprecio virtudes,
eu deprecio corrupção,
eu agradeço à vida,
eu enlouqueço às vezes,
eu falo sozinho,
eu penso sozinho,
eu canto sozinho,
eu choro sozinho.
eu sou fraco mas corajoso,
medíocre mas esforçado,
triste mas sei me alegrar,
estou só,
me sinto só,
sou só... mais um no baile.
(R. Figueira, Sampa: jan-2006)
QUEM SOU EU - 01
Um alguém ou não-alguém que anda por essas paradas que chamam cidades, bairros, ruas, lugares a fio. No tempo que se passa dentro e fora de mim, transpassam lutas, receios, desgastes de todos os gêneros e graus. Indefinido = id:entidade sem norte. A Morte? Sorte que não me chega, que não me enxerga tão cedo. O Medo? Me serve, me invade, me ilude, me cala, me salva. A Raiva? Não me alimenta tanto o quanto quero.Loucura; Lib[v]erdade; M[s]orte; Erostismo = buscas incessantes.O kaos que me habita tramita por entre as esferas do Universo (diverso e paralelo, para além-lo). De subjetivismos sou feito, pois sendo um sub-sujeito, não me rejeito, já que só a mim me sobra o que me esvai.
(R. Figueira - nov 2005)
(R. Figueira - nov 2005)
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